Estou relendo o livro “Limites da Fundação”, de Isaac Asimov, e me deparei com alguns trechos interessantes que eu não lembrava desde a primeira vez que li, há 20 anos. Gostaria de compartilhar essa reflexão aqui.

O diálogo ocorre entre Golan Trevize e Janov Pelorat nos primeiros momentos de sua jornada interestelar. Trevize se preocupa com a possibilidade de a nave estar equipada com um hipertransmissor, o que comprometeria a privacidade deles.

Primeiro, Pelorat pergunta:

[…]

— Ah, entendo. Quero dizer, não entendo. O que é um hipertransmissor?

Trevize responde de forma direta:

[…]

— Bom, deixe-me explicar, Janov. Estou em comunicação com Terminus. Ou melhor, posso me comunicar quando quiser, e Terminus pode, reversamente, se comunicar conosco. Eles sabem a localização da nave, pois observaram sua trajetória. Mesmo se não tivessem observado, poderiam nos localizar ao escanear o espaço próximo à procura de massas, o que os alertaria sobre a presença de uma nave ou, talvez, de um meteoroide.

O diálogo avança mais um pouco:

[…]

— Me parece, Golan — afirmou Pelorat —, que o avanço da civilização não é nada além de um exercício na limitação da privacidade.

O diálogo avança mais um pouco e em seguida, uma conclusão inusitada:

[…]

Não haveria nenhum lugar na Galáxia onde poderíamos nos esconder e nenhuma combinação de Saltos pelo hiperespaço possibilitaria nossa evasão dos instrumentos à disposição deles.

— Mas, Golan — disse Pelorat suavemente —, nós queremos a proteção da Fundação, não?

— Sim, Janov, mas apenas quando a requisitarmos. Você disse que o avanço da civilização significava a contínua restrição de nossa privacidade. Bom, não quero algo tão avançado assim. Quero ter a liberdade de me locomover como bem entender, sem ser detectado, a não ser que eu deseje proteção ou precise dela. Portanto, eu me sentiria melhor, muito melhor, se não houvesse um hipertransmissor a bordo.